15.3.10

25.2.10

Gaiteiros de Lisboa - Lenga Lenga

Um grande concerto que vou ver na sexta, no Casino da Figueira...

Um grande grupo de Música Tradicional Portuguesa.

Um grande grupo de percussão.

Um enorme grupo de Gaiteiros.


New Order - Turn My Way

Alguém se lembra que o Billy Corgan dos Smashing Fucking Pumpkins participou no álbum "Get Ready", dos britânicos New Order, como guitarrista? E como vocalista na música "Turn My Way"?

Um encontro, não direi de génios, mas de gente predestinada para a boa música.

Deixo-vos aqui a moda... MUITO BOM SOM!

20.2.10

Lendo... Hemingway


Relendo antigos "posts" do meu blogue "O Papa-Léguas", arrebatou-me este lindo pedaço de literatura de Hemingway, que estava a ler na altura. "Por quem os Sinos Dobram" continua hoje, 6 anos passados, a ser para mim um dos melhores romances que jamais li.

Aqui deixo o excerto que seleccionei em 2004:

"(...)Maria era encantadora.
Olha para ela, disse-se. Contempla-a.
E vi-a caminhar alegremente ao sol, com a camisa de caqui desabotoada no pescoço. Caminha como um potro, pensou Jordan. Nunca encontrei ninguém assim. Estas coisas não acontecem na realidade. Mas talvez esteja a sonhar ou talvez me deixe arrastar pela imaginação, pensava ele, e nada tenha acontecido. Lembrava-se de se ter encontrado, em sonhos, na cama, acompanhado de actrizes de cinema que lhe prodigalizavam carícias. Tinha-as possuído a todas e lembrava-se ainda de Garbo e Harlow. Sim, Harlow, tive-a muitas vezes. Talvez ainda sonhasse.
Jordan ainda se lembrava da noite em que Greta Garbo veio para a sua cama, na noite que antecedera o ataque a Pozoblanco; trazia uma macia camisola tecida com uma lã doce e sedosa. Quando ele a abraçava e ela se inclinava, sentia os cabelos a acariciarem-lhe o rosto. E ela perguntou-lhe porque não confessara que a amava, a ela que o amava há tanto tempo. E ela não parecia nem tímida, nem distante, nem reservada. Era a Garbo dos dias de John Gilbert, boa e meiga e era estranho tê-la abraçada contra ele. Era tão verdadeiro como se tivesse acontecido, e amou-a mais que à Harlow embora fosse só uma vez enquanto a Harlow... e talvez o presente não passasse também de um sonho.
Mas talvez não seja, repetiu-se. Talvez Maria seja realidade e possa estender a mão e tocá-la. Ousarias fazê-lo? Perguntou-se. Talvez te desses conta de que nunca aconteceu nada e de que tudo é produto da tua imaginação, como os teus sonhos onde as actrizes de cinema, amigas velhas, vinham deitar-se no teu saco de campanha, por terra, na palha das eiras, nos estábulos, nos corrales e cortijos , nos bosques, nas garagens, nos camiões e em todas as montanhas de Espanha. Vinham todas meter-se no saco de campanha durante o seu sono e todas eram mais gentis do que poderiam ser na realidade. Talvez tenhas medo de tocar em Maria e verificar que é realidade, repetia-se ele. Mas sim, tu tens medo: sonho, imaginação, irrealidade.
Jordan adiantou-se e pousou a mão no braço da rapariga. Sentiu sob os dedos a macieza da carne debaixo do pano da blusa. Maria encarou-o e sorriu.
(...)"


Ernest Hemingway, "Por quem os sinos dobram", Edição Livros do Brasil, pág. 135.

18.2.10

Jeff Buckley - Grace

Mesmo quando não me apercebo...

Só faço merda.

2.2.10

Águas de Março - Tom Jobim


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o misterio profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira

É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho

É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando

É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projecto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é uma sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã

18.11.09

Fura, Fura! 21 de Novembro, CP Caffé - Maiorca/Figueira da Foz

O concerto previsto para 07/11 foi adiado para 21/11...



Podes aqui acompanhar-nos.

2.11.09

António Sérgio: comunidade musical de luto

Faleceu o António Sérgio, um dos maiores divulgadores e educadores de música na nossa rádio.

A nossa homenagem ao António, que tão de repente nos abandonou.

Abaixo, o testemunho do Sérgio Bastos acerca deste ano em que faleceram algumas das nossas maiores referências musicais:



Convenhamos, este tem sido um ano horribilis. Tudo devido ao desaparecimento de "figurinhas simpáticas" que aliam o carácter de independência e militância cultural ao de formiguinha trabalhadora. Falo de João Aguardela, João Bénard da Costa, Vasco Granja, Raúl Solnado e, neste fim-de-semana, António Sérgio. As "saídas de cena" que mais me chocam são dos dois mais jovens da lista.

João Aguardela remou contra a maré num tempo em que aliar a música portuguesa à pop era sinónimo de pirosice e revivalismo nacionalista. A música de raízes populares, a fusão e, sobretudo, o Fado, são forças vivas da nossa cultura nos tempos que correm mas na década de 80 poucos eram suficientemente teimosos para remar contra a maré. Nos Sitiados, A Naifa e no projecto pessoal Megafone deixou uma memória activa que leva na próxima quarta-feira, 4 de Novembro, ao CCB vários amigos ao palco em seu nome. A morte venceu João Aguardela, mas o estímulo dos 39 anos do autor fica associado a um prémio anual da SPA a atribuir a criadores que se destaquem na música tradicional portuguesa.

Em Dia de Todos-os-Santos, não houve santo que valesse a António Sérgio. Cerca de 40 anos de serviços prestados nos megahertz associam-no à teimosia de acreditar que fazer "programas de autor" é um acto de rebeldia informativa num panorama de rádio de risos formatados.

Uma boa parte das pessoas recordará António Sérgio como a mais recente voz-off da SIC, o homem dos espaços "Som da Frente", "Hora do Lobo" e "Viriato 25". A minha melhor memória dele remonta aos anos 80 onde, com Gustavo Vidal, alimentava uma geração sedenta dos novos rumos que o Metal trilhava. Na rádio Comercial ao Sábado, ouvia a sua voz grave apresentar os recentes LPs de Candlemass, Venom, Possessed, bem como demos de bandas portuguesas. Outro episódio curioso que registei passou-se nos primeiros anos da SIC, num programa de entrevistas, penso, de Paula Moura Pinheiro. Passaram um tema de Napalm Death e perguntaram a António Sérgio se achava que "aquilo" era música, ao que respondeu - dando uma lição - em tom "tudo é música desde que saibamos apreciar".

Seguindo o exemplo de António Sérgio, talvez fosse o tempo de passar a premiar os criativos que ofereçam originalidade, independência e muita teimosia à rádio.



Fonte: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/545084 (Expresso Online)

9.10.09

7 de Novembro, Fura, Fura! no CP Caffé...


Noite de folia folk garantida no CP Caffé, a partir das 23:30H de 7/11.

Em Maiorca, Figueira da Foz.

Hoje, 9 de Outubro, Fura, Fura! no Nyktos Rock Bar

31.7.09

O último dos Calhocas

Não poderia nunca deixar passar em branco a morte do último dos Calhocas.

Calhoca é o nome "alcunha" familiar de uma das famílias Correia, de Santo Amaro da Boiça, que nos finais do século XIX, princípios do séc. XX eram os lavradores da aldeia - nessa altura pontuavam os dois irmãos, Zé e Manel Calhoca.

O Ti Quim... era o último dos filhos destes dois irmãos que ainda era vivo...

A minha avó foi a penúltima, em 2007 e também a que durou mais tempo... 94 anos de idade.

Temos de marcar um "convívio calhoca".

20.5.09

8.4.09

Cláudio Mateus hoje no ciclo "Voz e Guitarra" da Antena 3


" A "Portugália" apresenta uma nova série de sessões gravadas apenas com voz e guitarra. Old Jerusalem, Sean Riley, The Partisan Seed e Electric Willow foram as vozes convidadas para apresentar as suas canções em formato acústico.

A não perder esta semana depois das 22h.

2ªfeira - Francisco Silva (Old Jerusalem)
3ªfeira - Filipe Miranda (The Partisan Seed)
4ªfeira - Claúdio Mateus (Electric Willow)
5ªfeira - Afonso (Sean Rilley)

por: Gonçalo Castro "


Ainda temos estes oásis na rádio portuguesa que é o espaço do Nuno Amaro e da sua "Portugália", onde os artistas que interessam têm lugar.

Sim, porque ser "artista que interessa" não implica andar pelos "tops" e sim fazer música de qualidade, seja isso o que for.

20.2.09

Peste & Sida - Sol da Caparica

É HOJE, CARAGO!!! PESTE NO NYKTOS ROCK BAR,´só p'ró pessoal da biqueirada!!


19.2.09

Jeff Buckley - Grace

Esta é provavelmente uma das melhores obras musicais de sempre.

Faz um conjunto deslumbrante, a letra e a música.

Podem ver o vídeo aqui.

"there's the moon asking to stay
long enough for the clouds to fly me away
well it's my time coming, i'm not afraid to die
my fading voice sings of love,
but she cries to the clicking of time
oh, time

wait in the fire...

and she weeps on my arm
walking to the bright lights in sorrow
oh drink a bit of wine we both might go tomorrow
oh my love

and the rain is falling and i believe
my time has come
it reminds me of the pain
i might leave
leave behind

wait in the fire...

and i feel them drown my name
so easy to know and forget with this kiss
i'm not afraid to go but it goes so slow"


Jeff Buckley

17.2.09

Abril, Liberdade e Inquietação


Preparo Abril, em noites de inquietação... Guitarra na mão e voz no coração.

Revisito, uma e outra vez, o cancioneiro da Libertação.

José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Luís Cília, Fausto, Sérgio Godinho, Manuel Freire, Pedro Barroso, Francisco Fanhais...

Enfim, preparar Abril é viver, fluindo e deixando fluir, para além da Revolução, a Canção dos melhores cantores, dos melhores compositores, dos melhores poetas portugueses. E Abril tem tudo isto: a voz, a palavra, a música... Num casamento em que todos somos convidados a participar, mas ao qual alguns de nós respondeu que não podia ir!

Por isso acabou Abril como acabou: o Abril oficial aburguesou-se, deixou de ser Revolução. O nosso Abril tem de ser o da luta, da Revolução, da transformação, do inconformismo, da mudança social. Por isso ouvimos a voz daqueles que não se conformaram, para aqueles que não se conformam com a situação e lutam por uma solução... e uma Civilização diferente.

A minha guitarra prepara Abril? E a tua garganta? Está preparada para a inquietação?

30.1.09

Billy Powell dos Lynyrd Skynird foi-se aos 56 anos de idade

VÍDEO DE "FREE AS A BIRD"




Para mais informações, vejam aqui.

Mastodon - Blood and Thunder

Festivais 2009 - cartazes já disponíveis

Para quem interesse, já existem alguns cartazes dos festivais prontos.

Pessoalmente, quero ver se vou ao Super Bock Super Rock Porto... E novamente ao Alive, 3.º dia.

Os restantes não me estão a puxar. Demasiado comerciais/lamechas/abetanados.

Vejam:

Super Bock Super Rock - Porto:
11 Julho - Depeche Mode / Placebo / Nouvelle Vague / Ladytron

Super Bock Super Rock - Lisboa:
18 Julho - Oasis / The Killers / The Subways / X-Wife

Optimus Alive:
9 Julho - Colplay / The Kooks / Mando Diao / Rita Redshoes
10 Julho - No Doubt / Moby / Lily Allen / Paramore
11 Julho - Metallica / Slipknot / Mastodon / Moonspell

Marés Vivas:
17 Julho - Simply Red / Europe / GNR
18 Julho - John Fogerty / The Pretenders / Xutos & Pontapés
19 Julho - Franz Ferdinand / Da Weasel / David Fonseca

VILAR DE MOUROS, REGRESSA PARA BEM DA HUMANIDADE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

20.1.09

João Aguardela - uma memória musical (Megafone - Aboio)



Até sempre, camarada!

Morreu João Aguardela, um Grande da Música Portuguesa


Faleceu ontem 18 de Janeiro de 2009 em Lisboa o músico João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro. Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, que fizeram enorme furor nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone (quatro discos de um trabalho muito pessoal, que cruza a recolha de música tradicional portuguesa com sonoridades electrónicas), Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados e dezenas de concertos aclamados pela crítica e pelo público.

Criador com capacidades fora do comum, inovador, Aguardela soube antecipar tendênncias e lançar projectos esteticamente inéditos, sempre numa abordagem marcada pela defesa da língua e da cultura portuguesas.

Firme nas convicções, determinado nos objectivos , invulgar na forma de ser e estar na vida, desde sempre grangeou respeito e admiração no meio musical, ainda que nunca tivesse procurado o estrelato.

Vítima de cancro, morreu no Hospital da Luz, aos 39 anos. Deixa uma obra invejável e saudade à família e amigos. Como escreveu o João, «os dias sem ti/ são todos iguais/ são dias sem brilho/ são dias a mais».

Ricardo Alexandre, amigo do João.

O João será cremado amanhã (dia 20) às 16H no cemitério do Alto de São João.


UMA PERDA DO CARAÇAS, texto retirado do blogue d'A Naifa
A música portuguesa fica bem mais pobre...

8.1.09

"Estás desiludido com as promessas de Abril, né?"

"Estás desiludido com as promessas de Abril, né?

As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né?

E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho?

Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?"

JOSÉ MÁRIO BRANCO (confere no blogue da Deltagata)

7.1.09

Concurso para "acessor" VS Concurso para Coveiro (NO PAÍS DOS PS, COM OU SEM "D")

Um mail interessantíssimo enviado pelo amigo Lopes:

"Atenta no Diário da República nº 255 de 6 de Novembro 2008:


EXEMPLO 1
No aviso nº 11 466/2008 (2ª Série), declara-se aberto concurso no I.P.J. para um cargo de "ASSESSOR", cujo vencimento anda à ronda de 3500 EUR
(700 contos). Na alínea 7:...
" Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na ... Apreciação e discussão do currículo profissional do candidato."

EXEMPLO 2
No Aviso simples da pág. 26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança concurso externo de ingresso para COVEIRO, cujo vencimento anda à roda de 450EUR (90 contos) mensais. "...
Método de selecção:
Prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos. A prova consiste no seguinte:
1. - Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional;
2. - Regime de Férias, Faltas e Licenças;
3. - Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos.
Depois vem a prova de conhecimentos técnicos: Inumações, cremações, exumações, trasladações, ossários, jazigos, columbários ou cendrários.
Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais.
Os cemitérios fornecem documentação para estudo. Para rematar, se o candidato tiver:
- A escolaridade obrigatória somará + 16 valores;
- O 11º ano de escolaridade somará + 18 valores;
- O 12º ano de escolaridade somará + 20 valores.
No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.

ISTO TUDO PARA UM VENCIMENTO DE 450 EUROS MENSAIS!

Enquanto o outro, com 3,500!!! Só precisa de uma cunha.

Vale a pena dizer mais alguma coisa?

VALE! - Assim todos, e cada um de nós se indigne e entenda que é tempo de lutar - é tempo de mudar!"

6.1.09

Cristina Branco - Redondo Vocábulo (versão de José Afonso)



Excelente versão. Uma das duas melhores versões desta música.
A outra é a de Janita Salomé, que os meus leitores-fantasma podem ver aqui.

Peste & Sida no Nytos Rock Bar - Alhadas - 20 de Março de 2009

5.1.09

"Guerra" da faixa de Gaza

Não é preciso escrever muito sobre isto... Penso que não se trata de uma guerra, mas de uma completamente desequilibrada escalada de violência entre o Hamas, com os seus rockets caseiros e o bem armado exército israelita.

No meio disto, mais de 500 mortos do lado palestiniano. Mesmo admitindo que apenas metade destas baixas sejam civis, a "guerra" não tem defesa possível.

O belicista estado judaico concentrou nos seus parcos quilómetros quadrados o que os EUA têm espalhado por milhões: o belicismo. A intolerância.

O PROBLEMA É E CONTINUARÁ A SER ESTE: ENQUANTO AS ILHAS DE EXCLUSÃO PALESTINIANA EXISTIREM, O CONFLITO PERSISTIRÁ. Com baixas de ambos os lados, mas mais do lado mais fraco.

Uma axa para a fogueira: integre-se o estado judaico na UE e veremos se tudo não pia mais fininho...


Na imagem: crianças palestinianas na morgue.

2.1.09

Um filme: "Click", com Adam Sandler


Daqueles filmes que não conhecemos, vemos por acaso e quando damos por nós, estamos agarrados à trama como se fizessemos parte dela...

Um filme teoricamente de segunda linha. Quase diria, série B.

Adam Sandler é um jovem arquitecto que tem de provar no seu emprego ser merecedor de ascensão na carreira... A família (mulher e dois filhos) fica constantemente para trás. Ele farta-se das discussões com a esposa, das entediantes massagens que ela quer que ele faça como preliminares sexuais. Até o facto de estar doente o entedia, enfim...

Quando, por mero acaso, decide adquirir um comando universal (ele não conseguia distinguir o comando da garagem do comando da TV) apercebe-se de que o comando é mesmo universal... controla a vida dele. Pode fazer avançar mais rápido para saltar capítulos (discussões, tempo que falta até ter um trabalho cumprido ou ser promovido, tempo em que está doente, etc).

Mas o vendedor apenas o avisou de que o artigo não tinha devolução, não que o comando tinha memória, e em situações idênticas, o comando automaticamente fazia avançar (Forward)...

Salta promoções, doenças, discussões, até que acorda um dia já presidente da empresa, mas sem a família. A mulher está com um parolo qualquer, e vive com os filhos. Ele está sozinho.

As suas tentativas de resolver o passado são infrutíferas, porquanto à mínima discussão, doença, etc, o comando faz a sua vida avançar rapidamente. Está velho, morbidamente gordo e sozinho. Não é o bom exemplo. Ao invés, o totó que vive com a sua "ex", é-o.

Finalmente, no casamento do seu filho, escuta a sua filha chamar "Pai" a Bill, o totó que vive com a sua "ex"... e rebenta-lhe uma veia no cérebro.

Vai parar ao hospital, onde é visitado pelos filhos. O filho, que entretanto seguia as suas pisadas na empresa, conta-lhe que vai adiar a lua-de-mel devido a uma reunião importante... O nosso arquitecto tenta dizer ao filho que não fizesse como ele... "a família vem em primeiro", tenta, sem fôlego, articular... mas não consegue, está simplesmente muito debilitado.

Os filhos saem. Ele desliga-se da máquina que o agarra à vida e corre atrás.

As suas últimas palavras foram para a família... para quem antes não ligava nenhuma...

Morreu, mas teve uma segunda oportunidade, dada pelo "anjo da morte" que lhe havia oferecido o comando.

E aproveitou-a.

Adorei este filme, espero que quem conseguir o veja, porque faz-nos realmente pensar na vida, nas prioridades, nas relações, no Eu e no Outro.

Será a vida tão difícil que precisemos de um comando para a controlar?

18.12.08

Ana Lains - Pouco Tempo



Que voz...

11.12.08

José Afonso - Balada do Outono

Señora Carmen - Ramo Verde




Ver e ouvir esta senhora galega a cantar faz-me "bágoa nos olhos"... e "poñenseme os pelos de punta".

5.12.08

19.11.08

A política segundo Ferreira Leite...

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, conhecida há muito dos portugueses como a "dama de ferro" portuguesa (a original era inglesa), fala pouco, mas quando fala atira grandes "soundbytes". Primeiro como ministra da educação, depois das finanças, etc.

Agora pergunta-se se «não seria bom haver seis meses sem democracia». Isto para poder fazer reformas sem o alarido das classes profissionais.

Agora diz que era uma expressão irónica.

Mas o certo é que cada vez mais me convenço de que Manuela Ferreira Leite daria uma boa ministra de Salazar ou Caetano...

17.11.08

The Band - Up On Cripple Creek




Neil Young teve (TEM) os Crazy Horse, Bob Dylan teve os The Band.

Aqui sem o Bob...

Radiohead - The Headmaster Ritual (cover dos Smiths...)

14.11.08

AJA organiza mais um "O CANTO DA INTERVENÇÃO"



A Associação José Afonso organiza dia 22 de Novembro (sábado), mais uma sessão de "O CANTO DE INTERVENÇÃO".

12.11.08

Quando os TRIBUNAIS fazem CENSURA POLÍTICA






Nem vale a pena comentar.

Lê a notícia e tira as tuas próprias ilações...

O PSD manda no burgo. Pelos vistos também tem ligações ao tribunal.

E eu que pensava que num Estado de Direito "democrático", os poderes legislativo e judicial estavam separados...


Tribunal de Viseu condena jovens da JCP por pintarem mural
O Tribunal de Viseu condenou hoje ao pagamento de 350 euros de multa dois militantes da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo crime de dano simples, por terem pintado um mural onde anunciavam o congresso da estrutura partidária.


Luís Barata e Catarina P., de 25 e 29 anos, foram detectados às 23:10 de 11 de Abril de 2006 pela PSP de Viseu a pintar uma parede do viaduto da circunvalação, junto à Universidade Católica, tendo a Câmara Municipal de Viseu, responsável pela sua manutenção, apresentado queixa.

O Tribunal considerou provados todos os factos da acusação, que Luís Barata (Catarina P. não compareceu por estar em final de gravidez) confessou parcialmente durante a primeira e única sessão do julgamento, a 29 de Outubro.

Cada um dos jovens terá de pagar uma multa de 50 dias à taxa diária de sete euros e, solidariamente, 102 euros de indemnização à Câmara de Viseu pelos gastos que teve para eliminar as pinturas.

O Tribunal fez uma interpretação diferente das leis em que a defesa se sustentou, nomeadamente a lei da propaganda política.

Segundo a juíza, as autarquias destinam locais para o efeito, que não era o caso do viaduto, sendo também a elas que cabe decidir a altura em que as pinturas são removidas.

Por outro lado, frisou que "a liberdade de expressão não é um direito absoluto" e que o seu exercício não pode colidir com outros também previstos constitucionalmente, designadamente o direito de propriedade.

"O exercício dos nossos direitos termina quando começam os direitos dos outros. É jovem, gostava que tirasse as suas ilações", afirmou, dirigindo-se a Luís Barata.

Recurso para a Relação de Coimbra

A advogada e ex-deputada do PCP Odete Santos, que defendeu os dois jovens, disse aos jornalistas que a decisão do tribunal não a surpreendeu e anunciou que vai recorrer.

"Pela forma como o julgamento decorreu achei logo que a inclinação do tribunal seria para condenar. Quando se pergunta ao arguido se pediu autorização à Câmara para fazer uma inscrição mural é estar a restabelecer a censura prévia", criticou.

Odete Santos considera que "a propaganda política não está dependente de autorização nenhuma", porque "o local não está proibido por lei (no artigo 4 da Lei 97/88)", criticando ainda o tribunal por fazer uma distinção entre pintura mural e inscrição mural, dizendo que "não era uma pintura mural, quando a própria lei se aplica às inscrições e pinturas murais".

"Foi uma péssima interpretação da lei, foi um desconhecimento da jurisprudência muito rica que há", frisou, lembrando que há um acórdão do Tribunal Constitucional de 1995 que concluiu que o facto de a lei delimitar os locais reservados, "não queria dizer que não pudesse ser feito fora desses locais".

Odete Santos está convencida de que o Tribunal da Relação de Coimbra dará razão à JCP, mas avança que, se for preciso, o caso seguirá para o Tribunal Constitucional ou até para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, "por violação do artigo décimo da Convenção Europeia dos Direitos do Homem", porque "está em causa um direito fundamental, que é o direito à liberdade de expressão".

Interrogada sobre a sua posição política sobre este caso, a antiga deputada comunista disse que "o concelho de Viseu é o único onde neste país se condenam pessoas por fazer inscrições murais".

"Se for para o Sul, onde a CDU tem a maioria nas Câmaras, não encontra nenhuma perseguição assim, nem uma só. O que eu quero dizer é que onde as Câmaras são geridas por gente democrata as regras que se cumprem são as regras da democracia", sublinhou.

O advogado da Câmara, Filipe Santos Marques, disse que estava a contar com esta decisão do tribunal, "não obstante toda esta tentativa de trazer ao processo judicial elementos que lhe são alheios, nomeadamente políticos".

"No fundo, é um processo judicial relativo a um crime de dano, como foi dito em audiência, justificado, e a sentença apenas o reflectiu", acrescentou.


Retirado das notícias SIC

E mais, em Agosto, a mesma Câmara mandou retirar todos os cartazes do PCP, que na altura publicitavam a Festa do Avante.



UMA VERGONHA PARA ESTA "DEMOCRACIA".

Precários Inflexíveis: Prémios Precariedade 2008 - VAI E VOTA!

Retirado do blogue dos Precários Inflexíveis... É. Boa ideia!

Vai lá e Vota!

Os Precários-Inflexíveis lançaram hoje a Grande Iniciativa deste Outono / Inverno e do Ano: os Prémios Precariedade 2008.

Há por aí muita gente a merecer condecoração imediata. Para colmatar essa falta de chá, vamos todos reconhecer o mérito de alguns dos maiores responsáveis pela precariedade em Portugal, através de uma votação aberta na Internet.

Como acontece com outros galardões, temos no cofre estatuetas para várias categorias – desde Ficção Contemporânea a Acumulação, passando pelos prémios Soundbyte e Sem Vergonha. E, claro, à figurona ou ao figurão mais merecedor será atribuída a distinção máxima, o Grande Prémio Precariedade 2008.

Todos e todas podem votar, incluindo os próprios nomeados. Os boletins de voto estarão disponíveis desde hoje (11 de Novembro) em www.PremiosPrecariedade.net, durante um mês.

Logo a seguir, os resultados serão anunciados numa cerimónia pública, a Gala Prémios Precariedade 2008.




Os nomeados estão à tua espera, vê os prémios e vota em www.PremiosPrecariedade.net !!!

3.11.08

Álbum de Zeca Afonso "Com as minhas tamanquinhas"



Com a participação especial de Quim barreiros, eis um surpreendente e inovador trabalho de Zeca Afonso, em 1976.

Ouve aqui.


com a devida vénia ao rubicat.com.sapo.pt

Neil Young - Looking For A Leader

Nesta música de 2006, Neil Young diz

"Yeah maybe it's Obama
But he thinks that he's too young... "

Pelos vistos mudou de ideias! E ainda bem.



"Lookin' for a Leader
To bring our country home
Re-unite the red white and blue
Before it turns to stone

Lookin' for somebody
Young enough to take it on
Clean up the corruption
And make the country strong

Walkin' among our people
There's someone who's straight and strong
To lead us from desolation
And a broken world gone wrong

Someone walks among us
And I hope he hears the call
And maybe it's a woman
Or a black man after all

Yeah maybe it's Obama
But he thinks that he's too young
Maybe it's Colin Powell
To right what he's done wrong

America has a leader
But he's not in the house
He's waling here among us
And we've got to seek him out

Yeah we've got our election
But corruption has a chance
We got to have a clean win
To regain confidence

America is beautiful
But she has an ugly side
We're lookin' for a leader
In this country far and wide

We're lookin' for a leader
With the great spirit on his side

Someone walks among us
And I hope he hears the call
And maybe it's a woman
Or a black man after all"

30.10.08

Extrema-direita com pés de barro e telhados de vidro!!!

in semanário "Sol"

"Extrema-direita
Membro do PNR preso por auxiliar imigração ilegal e ter uma cadeia de bordéis
Um dos mais fervorosos adeptos da extrema-direita em Portugal está agora preso por auxílio à imigração ilegal, o que vai contra aos ideais do seu partido. O homem explorava em quatro bordéis cerca de 30 prostitutas


António Pereira Frazão nasceu na antiga República Federal da Alemanha e foi desde sempre um defensor acérrimo da extrema-direita, estando filiado no Partido Nacional Renovador.

Mas, avança o Correio da Manhã, o homem vai totalmente contra a sua bandeira ao auxiliar imigração ilegal e a explorar prostitutas.

Para ele trabalhavam duas irmãs brasileiras que se encarregavam de vigiar as 30 prostitutas espalhadas pelos quatro bordéis da Grande Lisboa.

Frazão está agora preso por lenocínio e auxílio à imigração ilegal. Foi o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que o foi buscar a casa, em Belas, na zona de Sintra.

A mulher de Frazão estava encarregue de entrevistar as candidatas para os bordéis e está também acusada pelo Ministério Público.

O líder do PNR, José Pinto Coelho, afirmou ao Correio da Manhã que, caso o militante seja condenado, «deixará de ser militante».
"



TRONHÉS...

26.9.08

Halo Benders - Boise, Idaho, Vac




Uma banda que não fica nada a dever a Built to Spill... tem o vocalista de Buil to Spill como guitarrista e vocalista em alguns trechos, mão não tem muito que ver com Built to Spill.

E só assim tem sentido fazer uma banda paralela, é para fazer algo diferente do que se faz coma principal.

Bom som.

Built to Spill - Car



Vejam aqui algo mais sobre esta grande banda da ressaca do grunge... na senda de música alternativa mais ao género "Pavement".

Skip James - Devil Got My Woman



It's the blues, stupid!

24.9.08

Sou Barco - Luis Cilia



Tantos, tantos são os esquecidos, que tenho muito prazer em os lembrar.

Ao lado do Zeca, do Adriano, do Zé Mário, do Pedro, do Sérgio, há o Luis Cilia. Grande músico de intervenção.

Pesquisem sobre este senhor.

19.9.08

O quê? o Avante já acabou?


Efeitos secundários: deambulações por mundos alternativos

Mississippi Fred McDowell - Goin Down to the River



Para quem duvida que o blues é a matriz principal do rock... E não há cá baterias!!!

New Order - Blue Monday

17.9.08

Rage Against The Machine - Sleep Now In The Fire




Muito a propósito de capitalismo e money money money...

Crises... capitalismo.

A porcaria do capitalismo em mais uma das suas crises... Só que desta feita ainda pior, porque o sistema entrou em descontrolo total... e já não se sabe quando termina uma crise e começa outra porque simplesmente vive-se em permanente crise. É nisto que dá o capitalismo, senão veja-se o que se passa com a teoria económica capitalista no caso dos combustíveis, por exemplo...

9.9.08

Adriano Correia de Oliveira - Cantar de Emigração



Grande Adriano...

Indiscutivelmente, a par do Zeca, o maior da música portuguesa (não te zangues Fausto; Pedro Barroso; José Mário Branco; Sérgio Godinho; e noutra onda Jorge Palma...).


O poema original, de rosalía de Castro:

Rosalia de Castro


"Este vaise, aquele vaise e todos, todos se van,

Galicia, sin homes quedas que te poidan traballar.
Tés, en cambio, orfos e orfas
e campos de soledad,
e pais que non teñen fillos
e fillos que non tén pais.
E tés corazóns que sufren
longas ausencias mortás,
viudas de vivos e mortos
que ninguén consolará.

¡Olvidémo-los mortos!"

José Afonso - Os Vampiros




É com o este mesmo sentimento que o José Afonso escreveu que aqui me confesso tornado comunista.

Não que tenha mudado a minha forma de pensar. Apenas cheguei à conclusão que não é por meio de meios passos que atingiremos o socialismo. Terá de haver sempre um processo revolucionário.

Ainda por cima vendo o que de há uns anos para cá se passa com a família política "socialista"...

Qualquer velho republicano socialista daria milhares de voltas na campa se soubesse o que vai no partido que se auto-intitula socialista... e depois não passa de mais do mesmo no poder.

Não mudei. Acordei.

E já agora, quando acordarás tu, Manuel Alegre??? (sim, também há boa gente nesse partido, não é só a escumalha do poder, dos jpbs e dos boys e dos jobs for the boys).

Continuo socialista. Mas comunista.


"No céu cinzento / Sob o astro mudo / Batendo as asas / Pela noite calada / Vêm em bandos / Com pés de veludo / Chupar o sangue / Fresco da manada

Se alguém se engana / Com seu ar sisudo / E lhes franqueia / As portas à chegada / Eles comem tudo / Eles comem tudo / Eles comem tudo / E não deixam nada

São os mordomos / Do universo todo / Senhores à força / Mandadores sem lei / Enchem as tulhas / Bebem vinho novo / Dançam a ronda / No pinhal do rei

Eles comem tudo / Eles comem tudo / Eles comem tudo / E não deixam nada"

Zeca Afonso - Os Vampiros



É com a mesma desilusão do José Afonso ao escrever "Os Vampiros" que me sinto ao olhar para o estado a isto chegou que declaro que me tornei comunista.

Não é com falinhas mansas dos que se dizem socialistas e fazem tudo ao contrário que se defende a utopia socialista.

O velho socialismo republicano teria vergonha de haver um partido que se diz socialista e na prática governa à direita e provoca um retrocesso imenso no evoluir da sociedade.

É no comunismo que ainda resiste o verdadeiro socialismo na realidade actual.

E como tal, não podemos compactuar com os patetas do PS.

O meu cartão está rasgado. O meu socialismo não. Apenas esquerdei. Ou acordei.

É com mágoa verdadeira que verifico a necessidade que me assalta de fazer isto.



PS: ó Alegre, quando vais acordar também???

3.9.08

Sophia de Mello Breyner Andresen - As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas


O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra


"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."


Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen - As pessoas sensíveis (Livro sexto)

30.8.08

Sinner Man - tradicional americana

Existem muitas versões desta música tradicional americana, sendo as mais conhecidas as dos Weavers, a dos Seekers e a de Nina Simone.

Fica aqui a dos Seekers.

28.8.08

Miles Davis em 1971



Se isto não é rock puro e duro... é só jazz!

26.8.08

The Cure - Just Like Heaven



São músicas como esta que me fazem levantar de manhã...

21.8.08

Kings Of Leon - McFearless



É sempre um prazer ouvir estes rapazes que cresceram a ouvir Neil Young e Bob Dylan.

KT Tunstall - Suddenly I See



Há quem goste e quem não goste...

Mea culpa! Eu gosto.

Jeff Buckley - Last Goodbye

Alo Alo - The Sausage In the Wardrobe



Velhos tempos da boa comédia...

"René, something horrible has happened!!!!"

12.8.08

Dollar Llama - Defense



E depois de me recordar dos Dollar Llama por causa da Aretha Franklin, fui pesquisar para ver por onde andam estes rapazes de Lisboa.

Parece que venceram um concurso da 7up, em Março, no qual a música deste clip foi seleccionada para figurar num anúncio da referida marca ao RR Lisboa.

Mas isso "não é nada" para uma banda com este potencial.

Onde está o "airplay" para as bandas nacionais que tocam bom som?

Aretha Franklin - I Say A Little Prayer



Hoje estou mesmo "nostálgico das divas". Que voz... Que som.

Não admira que existam covers desta senhora por artistas do calado de Prince... como de artistas do mundo alternativo. Recordo-me de uma banda de Lisboa que vi no Avante de 2005 (Dollar LLama), rock alternativo, a tocar uma cover da Aretha! Penso que da "Respect"

Nina Simone - Ain't Got No...I've Got Life



Só vos trago som do bom...

Rolling Stones - Sympathy for the devil



Acho que não são precisos comentários... são os Rolling Stones e pronto...

8.8.08

Andy Warhol - Mao



Andy Warhol, que pintou no seu estilo "pop-art" muitas das figuras proeminentes da sua época decidiu pintar nada mais nada menos que... Mao... o "rei" feudal da China "comunista"...

"Comunismo feudal pop"!

PS: valeu há pouco tempo 17,376 milhões de dólares na sua mais recente transacção...

A tempo dos Jogos Olímpicos de Pequim.

RICHIE FURAY - I STILL HAVE DREAMS



Um dos senhores que formavam os Buffalo Sringfield... e caiu no esquecimento.

Buffalo Springfield - For What It's Worth e Mr Soul



Um vídeo dos Buffalo Springfield, por muitos apelidada de "Rolling Stones" americanos...

A primeira música, "For What It's Worth", de Stephen Stills.

A segunda, "Mr. Soul", de Neil Young.

Eram estes dois senhores que formavam a dupla criativa dos B. S., facto que tanto dá valor à banda, como foi o que levou ao seu fim.

Um video a ver e curtir...

6.8.08

Sean Riley & The Slowriders - Harry Rivers




É português e é bom. Nada de "cha-la-las". É Bob Dylan, é Neil Young, é Morrissey, é Velvet Underground... É todos estes, não é qualquer um deles, é Slowriders. Boa onda.

Confere no Myspace de Sean Riley & The Slowriders.

David Sylvian - Orpheus



David Sylvian, ou David Bowie tocando com Roxy Music?

Pergunta estúpida... mas pertinente!

Miquela Nicolau - Candied Fruit



Uma pintora a descobrir, a espanhola Miquela Nicolau.

4.8.08

Art Brut - Direct Hit




Conheço há pouco tempo... mas adoro...

K's Choice - Shadowman



Se há grandes bandas com bons vocais femininos, uma delas é, concerteza, K's Choice...

1.8.08

Ottis Redding - Dock of the Bay



Esta música foi gravada 7 de Dezembro de 1967, apenas três dias antes da trágica morte de Redding, numa queda de avião no Wiscountin. Para quem não conhece, Ottis Redding é o dono da versão de Satisfaction (dos Rolling Stones) mais conhecida pelo público - a alma do soul e da blues afro-americanos ao serviço de uma bela canção rock. Conheço ainda versões da "Dock of the Bay" feitas por Pearl Jam, Neil Young e Dave Mathews. Sem dúvida, a ouvir e a ler. A-ver-o-mar.

"Sittin' on the dock of the bay

Sittin' in the mornin' sun
I'll be sittin' when the evenin' come
Watching the ships roll in
And then I watch 'em roll away again, yeah

I'm sittin' on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm just sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

I left my home in Georgia
Headed for the 'Frisco bay
'Cause I've had nothing to live for
And look like nothin's gonna come my way

So I'm just gonna sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

Look like nothing's gonna change
Everything still remains the same
I can't do what ten people tell me to do
So I guess I'll remain the same, yes

Sittin' here resting my bones
And this loneliness won't leave me alone
It's two thousand miles I roamed
Just to make this dock my home

Now, I'm just gonna sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away
Oooo-wee, sittin' on the dock of the bay
Wastin' time"


Ottis Redding

Florbela Espanca - Mistério




Mistério


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

31.7.08

Calvin Harris - Acceptable in the 80's



Faz-me lembrar as músicas que o Gamelas dançava na disco' em cima de uma garrafa de Super Bock virada de gargalo para baixo... Grandes 80's!


Nota de rodapé... sou de '81...

Silver Jews - Sleeping Is The Only Love



Será?

Morphine - My Brain



My whole brain was out of tune
My whole brain was out of tune
I don't know how to tune a brain do you
Went into a brain shop
They said they'd have to rebuild the whole head
I said well do what you got to do
When I got my brain back
Didn't work right
Didn't have as many good ideas
Haven't really had a good idea since I got it fixed

30.7.08

Neil Young - Like A Hurricane



O apóstolo do rock... com a maior banda de garagem do mundo... CRAZY HORSE.

Épica, no mínimo, esta canção.

29.7.08

Korpiklaani - Keep On Galloping



Uma excelente descoberta que partilho convosco, meus leitores-fantasma...

Folk-metal da Finlândia (eles que até começaram por tocar folk...).

Meat Puppets - Scum



Por alguma razão os Meat Puppets são considerados uma das grandes referências de Kurt Cobain dos Nirvana...

28.7.08

A nova "bomba" dos Cure!!!



The Cure - Freakshow

25.7.08

"Ritmos da Cidade" no Festival de cinema Avanca 2008



O novo documentário do Luís Margalhau vai estrear amanhã no Festival internacional de cinema Avanca 2008, competindo no segmento "televisão". A exibição de "Ritmos da Cidade" ocorrerá às 11h30 no Multimeios Escola Egas Moniz.


SINOPSE: Ritmos da Cidade


Sob direcção dos maestros ingleses Tim Steiner, Sam Mason e Paul Griffiths, o projecto “Ritmos da cidade” ganhou vida na Casa da Música no Porto. Para tal, foram reunidos vários grupos, de idades e estilos completamente distintos, desde músicos da Orquestra nacional do Porto, grupos de Hip-hop, grupo de Famílias Reais da Casa da Música, uma tuna onde todos os elementos rondam a idade de setenta anos (Setentuna), o grupo de percussão Per’curtir e os formadores do curso de animação musical.

A missão, durante os dias de ensaio, consistia em fundir todas aquelas correntes numa peça única, numa obra musical que prestasse tributo à cidade do Porto e aos variados sons que a caracterizam.

Juntam-se na sala1, improvisam, escrevem, tocam, conhecem-se e fazem música.

Partilham vivências, culturas e preferências, num espírito de criação musical livre onde todos se entregam ao gosto de fazer música...



O resultado, a demonstração de que a linguagem musical não tem barreiras nem idades. Um vibrante espectáculo que encheu de energia a praça da casa da Música, oferecendo ao público uma orquestrada fusão de ritmos. E o Porto tem, de facto, um ritmo próprio.

Johnny Cash and Bob Dylan - One Too Many Mornings

партизанская плясовая



Momento Xanax com Cerveja!

Opiário



Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.

Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.

Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.
Se nesta viagem nem houve procelas!

A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?

Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.

Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde -
Um escroc francês, conde de fim de enterro.

Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.

Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.

Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.

Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.
Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co'a sueca... e o resto ele adivinha.

Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.

Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.

Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O fato é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.

Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranqüilidade. A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.

Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,

Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!

Ora! Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu'ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.

Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.

Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia pla coleira!

Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.

E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?

Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.

Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a ...

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.

Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!

(No Canal de Suez, a bordo)


Álvaro de Campos